quinta-feira, abril 07, 2011
Lançamento do Livro "Para Sempre e Mais um Dia" de Laura Costa
Vem ai mais um Workshop dia 27 de Abril 2011 no Centro ABA
APPDA-Setúbal assinalou Dia Mundial da Consciencialização do Autismo
A APPDA-Setúbal, Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo, assinalou o dia 2 de Abril de 2011 com um encontro “Autismo: 40 anos de associativismo em Portugal – Qualidade de vida das pessoas com Perturbações do Espectro do Autismo (P.E.A.)”, com o objectivo de reflectir multidimensionalmente sobre os direitos humanos, igualdade de oportunidades e qualidade de vida das pessoas com (P.E.A.), de forma a promover uma sociedade mais inclusiva e digna, à luz da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. domingo, abril 03, 2011
Um dia de cada vez no desafio do autismo...
sexta-feira, abril 01, 2011
Dia Mundial da Consciencialização do Autismo " Agrupamento de Escolas de Ovar"
terça-feira, outubro 26, 2010
Orçamento sobe 7% para a educação especial
O orçamento de acções previstas para a área da educação especial cresce no próximo ano cerca de 7%, o que demonstra uma "forte aposta" do Governo, disse o secretário de Estado Adjunto, no Parlamento. De acordo com Alexandre Ventura, o investimento reflecte-se de "uma maneira muito clara" quer ao nível das instituições de educação especial, quer ao nível dos apoios que esta área requer dos investimentos nas escolas da rede pública.
"Há uma clara e manifesta decisão da parte do Ministério da Educação de investir nesta área", garantiu o secretário de Estado Adjunto e da Educação, que hoje, quarta-feira, apresentou os números na comissão parlamentar. Em relação ao ano lectivo anterior, mantém-se o mesmo número de escolas para alunos surdos (20) e de escolas de referência para alunos cegos e de baixa visão (52), mas aumenta o número de alunos tanto num caso como noutro, devido a uma optimização dos recursos, disse Alexandre Ventura.
"Quanto às unidades de apoio especializado a alunos com autismo, passamos de 187 a 231 no ano em curso", indicou. Relativamente a unidades de apoio especializado a alunos com multideficiência passaram de 292 para 320.
Mantêm-se 74 centros de recursos para a inclusão, bem como o respectivo volume de financiamento destes apoios que existem desde Setembro de 2009 com recurso à experiência de instituições privadas.
"Apoiam 13.536 alunos que estão nas escolas públicas com a sua experiência", afirmou o secretário de Estado, explicando que estes técnicos dos centros de recursos para a inclusão se dirigem às escolas da rede pública para apoiar as crianças com necessidades educativas especiais. O secretário de Estado sublinhou também que em termos dos docentes em estabelecimentos públicos alocados a esta área específica passaram de 4779 para 6225, actualmente envolvidos na educação especial. "Em termos de alunos apoiávamos 25.029 e agora apoiamos 33.186 alunos", acrescentou.
Alexandre Ventura apontou também um crescimento significativo, indicando que os docentes afectados às unidades especializadas passaram de 686 para 955 este ano. Já o número de educadores destacados para a intervenção precoce mantém-se em 500.
De acordo com o secretário de Estado, os técnicos neste domínio, terapeutas ocupacionais, terapeutas da fala, fisioterapeutas, formadores e intérpretes de linguagem gestual portuguesa passaram de 1289 para 1300, enquanto os assistentes operacionais passaram de 700 para 714.
Alexandre Ventura reafirmou a aposta do Ministério da Educação neste domínio e lembrou que o Governo encomendou um estudo para acompanhar as medidas no terreno que estará concluído em Dezembro e apresentará recomendações para a melhoria do sistema.
quarta-feira, setembro 15, 2010
Asperger: Síndrome afecta crianças e adultos, sobretudo do sexo masculino
40 mil em Portugal- Notícia Correio da Manhã
Expressões como "o gato comeu-te a língua" ou "ter o rei na barriga". Metáforas, anedotas e entoações. O contacto olhos nos olhos. Expressões faciais de medo, de alegria ou espanto. O que para a maioria das pessoas é evidente e lógico pode gerar algumas confusões e equívocos a quem sofre de Síndrome de Asperger (SA).
Os ‘aspies’ – nome atribuído aos pacientes – traduzem as palavras de forma literal e são adversos à mudança. Querem ser sociáveis mas tendem a limitar a conversa a temas em que se sentem confortáveis, tais como aviões, comboios, semáforos, planetas e colecções, independentemente do interesse dos ouvintes. São hipersensíveis a sons e ruídos altos e extremamente honestos. O que representa um problema de comunicação e socialização. Para comunicar com um ‘aspie’ deve-se recorrer a frases curtas, precisas e concisas.
O Síndrome de Asperger é uma perturbação dentro do espectro do autismo que se traduz por alterações na interacção social, no uso da linguagem para a comunicação e restrição de interesses. Afecta crianças e adultos e é mais comum nos homens. É uma doença congénita, não tem cura mas o diagnóstico precoce ajuda a melhorar as competências sociais e comunicativas. Em Portugal, estima-se que cerca de quarenta mil pessoas sofram de Asperger.
O neuropediatra Nuno Lobo Antunes recorda o dia em que foi contactado por uma mãe que estranhou o facto de o filho, no berço, evitar o contacto visual e centrar a sua atenção na pulseira. Normalmente os pais percebem que os filhos são diferentes pela dificuldade de integração na sociedade e na escola, explica o especialista. Contudo, este síndrome ainda é desconhecido por muitos técnicos da área da saúde e muitas vezes é confundido com a hiperactividade ou com o défice de atenção, o que dificulta o diagnóstico e, consequentemente, o tratamento.
Esta incompreensão é partilhada pela sociedade em geral, e o doente de Asperger é discriminado e vítima de agressões verbais e físicas, sobretudo no caso das crianças. Há por isso tendência para a solidão e para o isolamento.
"PORTADOR DE ASPERGER PODE TER VIDA NORMAL": Carla Almeida, Terapeuta de Educação Especial e Reabilitação
Correio da Manhã – Quais as causas do Síndrome de Asperger?
Carla Almeida – As causas do Asperger são desconhecidas, existem muitas dúvidas e já foram realizados vários estudos nesse âmbito. Mas existe uma forte componente genética.
– Como é o tratamento?
– O tipo de tratamento depende da idade. Tem uma vertente individual em que se desenvolvem, de uma forma lúdica e em função dos interesses das crianças, as competências sociais dos pacientes. A experiência de grupo completa o tratamento. Em grupos de quatro pessoas trabalha--se a vertente comunicativa.
– É possível ter uma vida normal?
– Sim, um portador de Asperger pode ter um percurso escolar normal e tirar um curso superior, desde que a sociedade respeite os seus interesses e rentabilize as suas potencialidades.
– Qual a diferença entre Asperger e Autismo?
– No autismo pode haver um défice cognitivo (intelectual). Os doentes que sofrem de Asperger têm uma inteligência média ou, por vezes, acima da média. A outra diferença é a nível da linguagem. Os ‘aspies’ têm um vocabulário cuidado e rico, já os autistas apresentam um atraso na linguagem.
MÉTODO 'SON-RISE' EM PORTUGAL
O método ‘son-rise’, que já existe nos Estados Unidos há várias décadas, chegou finalmente a Portugal. E promete dar uma nova abordagem no tratamento do Síndrome de Asperger. Centrado na relação entre as pessoas, este método ensina a criar e a implementar programas e acções centradas nas crianças. A ideia é evitar que a criança se disperse, fornecendo-lhe estímulos para que ela se concentre na relação com o outro, seja através da fala, do olhar, do toque ou da brincadeira. De uma maneira lúdica e dinâmica, desenvolvem-se as aptidões sociais, emocionais e cognitivas das crianças ‘aspie’.
"SOCIEDADE NÃO ACEITA"
Um postal de Natal com um grafismo "pouco adulto" alertou para um problema que já se arrastava desde a infância. Os gémeos António e Pedro (nomes fictícios) eram crianças hiperactivas, precoces e bem-dispostas. Tinham um percurso regular e bom desenvolvimento. O que não levantou suspeitas. O diagnóstico foi conhecido aos 33 anos, após o alerta de uma psiquiatra amiga da família. Os gémeos tinham Síndrome de Asperger. Nesse momento, as obsessões, a vida recatada e o pouco empenho em procurar emprego fizeram sentido. A notícia caiu como uma bomba no seio familiar, que desconhecia esta patologia. "Comecei a aprender, frequentei colóquios e reuniões", diz a mãe, acrescentando que "a sociedade não está preparada para aceitar e colaborar com a diferença". Hoje com 40 anos, os gémeos recordam o momento em que foram confrontados com o diagnóstico. "Entrei naquele consultório de uma maneira e saí igual", constatou António. Já ‘Pedro assegura que "não foi difícil", porque sempre se foi mantendo informado sobre o Asperger.
Silva (Braga) fecha escola a cadeado reclamando um professor
A Escola Básica (EB1) da Igreja acolhe a Unidade de Autistas do Concelho de Barcelos desde o ano passado. Esta foi a moeda de troca para terem ali a leccionar quatro professores. Este ano, e após o arranque das aulas, só havia três docentes, o que motivou protestos.
“Enganados”. Este era o sentimento exteriorizado pelos pais dos alunos da escola básica da Silva, barcelos. A revolta traduzia-se numa enorme faixa de pano preto, colocada no portão principal da escola, exigindo “um professor por turma”.
“Foi-nos prometido que ao vir a unidade de autismo para cá os quatro professores iriam ser mantidos. No ano passado correu tudo muito bem, mas este ano tiraram-nos um professor”, explicou a presidente da Associação de Pais da EB1 da Igreja.
A situação apanhou de surpresa os pais dos alunos, pois nunca esperavam perder um professor, até porque, como explica Carla Cordeiro, “houve um aumento de alunos”. “Temos aqui 63 crianças, entre os quais seis autistas que estão a ser integrados no meio escolar. O primeiro ano vai juntar-se ao terceiro e a aprendizagem vai ser mais complicado, para a além de causar problemas ao professor”, referiu Carla Cordeiro, que adiantou ainda que os pais tudo fizeram para resolver a situação junto da DREN.
“Mandamos um ofício para eles mas não quiseram saber”, sublinhou a presidente da Associação de Pais da EB 1 da Igreja. Indignados com a situação da escola, os pais fecharam a cadeado o estabelecimento de ensino, o que motivou no local a presença do presidente do Agrupamento de Escolas de Lijó, Paulo Sampaio. “Vamos resolver isto a bem”, referiu o coordenador que não quis falar à reportagem do JN.
Após uma reunião no local, os pais, em assembleia espontânea, decidiram-se por deixar o referido elemento dos agrupamentos de escolas cortar o cadeado e decretar o fim do bloqueio escolar, após negociada uma reunião com a autarquia, associação de pais e um encarregado de educação que decorreu na tarde de ontem. Na reunião não foi garantida a pretensão dos pais, pelo que a situação ficou em “stand-by”. “Tratam as crianças como números. O facto de integrar a unidade de autistas já não é razão para ter quatro professores”, disse Carla Cordeiro.
Mesmo assim, após a retirada do cadeado, os pais não autorizaram a entrada dos alunos na EB1 da Igreja da freguesia de Silva, preferindo desmobilizar para casa. “Se após a reunião as nossas pretensões não forem satisfeitas, amanhã os portões da escola voltam a aparecer fechados”, alertou Fernando Miranda, pai de duas crianças que frequentam a escola de Silva. “Esta situação não é justa, pois querem reduzir aos professores e os nossos filhos é que são prejudicados. Não entendo como uma escola, ainda por cima com mais alunos do que no ano passado, tem menos um professor”, fez questão de destacar o encarregado de educação.
quarta-feira, dezembro 09, 2009
“No Mundo da Lua?... Talvez Não…”
No dia 17 de Dezembro de 2009, pelas 14h30, a APPDA-Setúbal, Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo, vai lançar o livro “No Mundo da Lua?... Talvez Não…” na EB 2/3 Aranguez, pertencente ao Agrupamento Vertical de Escolas Cetóbriga, em Setúbal. Uma fábula escrita por uma mãe da Associação, Ana Paula Antunes, com desenhos de um jovem com Perturbação do Espectro do Autismo, Afonso Sobral dos Santos, que nos transporta ao enigmático mundo do autismo.
“A história que o livro nos conta é uma fábula. Poderão vocês pensar que como todas as fábulas aconteceu há muito tempo, mas não, foi apenas ontem...
Tudo se passou numa pequena quinta mesmo às portas da cidade, bem aqui ao nosso lado.
Quando D. Josefa se apercebe que o seu filhote, o Pedrocas é diferente, ele não fala, não brinca com os outros, anda sempre de cabeça na lua, só quer saber de plantas.
D Josefa descobre depois de falar com o mocho do pinhal que o seu filhote é autista. Embarca assim numa estranha aventura feita de palavras silenciosas... mas um dia o Pedrocas salva uma vida e ganha o respeito de todos os animais da quinta...”
Nesta iniciativa foram convidados para estar presente:
Autora da fábula - Ana Paula Antunes;
Presidente da Câmara Municipal de Setúbal – Dra. Maria das Dores Meira;
Governador Civil de Setúbal – Dr. Manuel Macaísta Malheiros;
Directora do Centro Regional de Segurança Social de Setúbal – Dra. Fátima Lopes;
Coordenador da Equipa de Apoio à Escola – Dr. José Carlos Sousa.
Publicada por Escola E.B.2,3 de Aranguez - Setúbal
sábado, dezembro 05, 2009
Mundo Aspie - revista diversidades
A Revista Diversidades dedica o n.º 26 à temática do Síndrome de Asperger como título de "Mundo Aspie". No editorial, da autoria de Maria José Camacho, Directora Regional de Educação especial e Reabilitação, podemos ler:
O calendário relembra-nos que Dezembro está aí. Imersos no sentimento de recordação de um ano que se encerra e impelidos para a perspectiva de um outro que é sonho e promessa de realizações, a Diversidades escolheu para este número a incursão serena na Síndrome de Asperger (SA).
Nuno Lobo Antunes refere que "os professores deverão compreender que as crianças com SA têm um medo quase patológico do ridículo, por isso é preciso reforçar a ideia de que o erro é essencial ao conhecimento e à experiência, e evitar situações que podem resultar em humilhação. O estilo de aprender, as características peculiares quanto à escrita, leitura e cálculo deverão estimular os professores, com ajuda de técnicos experientes, a desenvolver técnicas pedagógicas que potenciem as aptidões e não sublinhem, as dificuldades".
Começa a ser comum a referência ao "Mundo Aspie".
Enquanto cidadãos desse Mundo, o que os caracteriza? O que os distingue? Traços de personalidade, competências, peculiaridades, síndromes?
A constância desta indelével transitoriedade leva-nos a acreditar, cada vez mais, na sinergia que deve ser colocada no respeito e acolhimento da sua singularidade, enquanto pilar fundamental de intervenção.
Nos reflexos da sua imprevisibilidade, encontram o aconchego e o refúgio salutar nos outros e, por isso, precisam sentir-se compreendidos no seu saber estar, ser e agir e, simultaneamente, demandam que os aceitemos como são. Ser Aspie, ser… simplesmente ser… Não se trata dum mundo de uns e de outros, mas do Mundo que é de todos, com lugar para a igualdade na diferença.
Reconheçamos e deixemo-nos desafiar pela originalidade intelectual e emocional das diversas formas de comunicação e relacionamento, sem resvalar para o proteccionismo exagerado, indiferença ou discriminação exclusiva. (...)
quinta-feira, dezembro 03, 2009
Dia internacional das pessoas com deficiência
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre
O dia internacional das pessoas com deficiência (3 de dezembro) é uma data comemorativa internacional promovida pelas Nações Unidas desde 1998, com o objetivo de promover uma maior compreensão dos assuntos concernentes à deficiência e para mobilizar a defesa da dignidade, dos direitos e o bem estar das pessoas. Procura também aumentar a consciência dos benefícios trazidos pela integração das pessoas com deficiência em cada aspecto da vida política, social, econômica e cultural. A cada ano o tema deste dia é baseado no objetivo do exercício pleno dos direitos humanos e da participação na sociedade, estabelecido pelo Programa Mundial de Acção a respeito das pessoas com deficiência, adotado pela Assembléia Geral da ONU em 1982.
Histórias Reais “VIVER A VIDA” novela da Sic
Intervir para a inclusão escolar
No Dia Internacional das Pessoas Portadoras de Deficiência, 3 de Dezembro, surge falar de inserção social, mas também de inclusão escolar de crianças e jovens especiais que nem sempre vêem a educação ir ao encontro das suas necessidades e capacidades.
São contraditórios os números relativos aos alunos com necessidades educativas especiais (NEE) em Portugal. Segundo os dados do Ministério da Educação (ME) apenas 1,8% do total de alunos a frequentarem o sistema educativo se inserem nesta classificação. Os especialistas fazem outras contas: serão mais de 8% os alunos a necessitarem de intervenção na área da educação especial. Acusam o ME de ter apenas considerado naquela percentagem, os alunos com necessidades educativas especiais permanentes, com deficiências auditivas, visuais, com multideficiência e com perturbações do espectro do autismo. Deixando expostos ao insucesso muitos mais alunos carentes de apoio especializado devido a dificuldades de aprendizagem.
Na base desta disparidade percentual está uma indefinição de conceitos e de classificações. Luís de Miranda Correia, autor do Modelo de Atendimento à Diversidade (1995), é uma das vozes mais críticas às políticas educativas dos últimos anos na área da educação especial. Nicole Dias é psicóloga clínica e trabalha segundo o método da análise comportamental aplicada (ABA - Applied Behaviour Analysis) na resolução de patologias comportamentais, cognitivas e emocionais. Na celebração do Dia Internacional das Pessoas Portadoras de Deficiência, urge falar de inclusão social, mas também escolar, de crianças e jovens especiais que nem sempre vêem reconhecidas as suas capacidades.
Repensar a forma como a educação especial tem sido tratada nos últimos quatro anos é "fundamental", diz Luís de Miranda Correia, professor catedrático do Instituto de Estudos da Criança, da Universidade do Minho. As críticas deste investigador estão voltadas para o Decreto-Lei n.º 3/2008 de 7 de Janeiro, um diploma que tem gerado muita polémica entre a comunidade escolar pela discriminação da maioria dos alunos com NEE, pelo processo de intervenção que prevê, mas sobretudo pela inadequada utilização da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). Recorde-se que a CIF foi criada pela Organização Mundial de Saúde para sinalizar problemas do foro físico e está a ser usada para determinar quem são os alunos passíveis de intervenção na área das NEE.
Ou seja, para despistar problemas do âmbito educativo. Deixando assim escapar alunos com dificuldades de aprendizagem (DA) e problemas de comportamento, que, segundo Miranda Correia, constituem cerca de 60% do número total (8%) de alunos com NEE.
"É um facto irrefutável que a maioria dos alunos com NEE se encontram abandonados à sua sorte nas nossas escolas", diz Miranda Correia, "embora só se possa comprovar [esta realidade] quando o ME resolver fazer estudos de prevalência fidedignos ou os encomendar às universidades", esclarece o professor. "Se fosse possível passar um questionário aos professores nesta matéria, se eles fossem autênticos nas suas respostas, sem medo de represálias, ou de encobrimento daquilo que nunca perceberam, os resultados seriam assustadores", conclui.
Escola inclusiva
"Não podemos esquecer que os alunos com NEE passam parte significativa do seu dia-a-dia nas escolas, se tivermos em conta os princípios que a inclusão pressupõe. E, se assim é, durante esse período crucial do seu desenvolvimento, não só terão de interagir continuamente com professores e colegas, mas também estarão expostos às mais diversas estratégias e métodos de ensino", diz Miranda Correia. Para que estes alunos possam ter sucesso escolar, o professor defende ser "necessário criar ambientes educativos seguros e assegurar aprendizagens que se identifiquem com as suas capacidades e necessidades para que um dia venham a atingir um nível de independência, vida de qualidade e produtiva como membros activos da sociedade".
Com a mudança ministerial, Miranda Correia lança um apelo a Isabel Alçada, a nova titular da pasta da Educação: "Que o seu Ministério tenha sempre presente que as decisões educacionais e políticas se devem basear nos resultados da investigação e nas boas práticas."
Práticas de intervenção
A inclusão escolar de crianças com NEE permanece um tema controverso. Mas actuando ao nível da dinâmica de grupo é possível conseguir processos de inclusão eficazes, trabalhando competências que colmatem défices de atenção, dificuldade de compreensão da instrução, da linguagem e problemas ao nível da comunicação, tendo em vista o sucesso escolar.
Como explica Nicole Dias, directora do ABA, Centro de Terapias Comportamentais, a intervenção começa por ser individual, criando na criança os pré-requisitos e as pré-competências necessárias para funcionar em grupo. Segue-se a inclusão num pequeno grupo, de um ou dois pares da turma. "Mas para que isto aconteça é preciso que haja a colaboração dos pais das outras crianças e da escola em geral, no sentido de serem criadas as condições para este processo ser aplicado". Na fase de intervenção seguinte, alarga-se o número de elementos do grupo até seis crianças e faz-se uma simulação da sala de aula.
Começa-se, desta forma, a treinar a instrução em grupo. À qual se segue a introdução da criança no contexto de sala de aula regular. Neste nível deixa-se o trabalho directo com a criança e passa a haver uma transmissão de estratégias para os professores ou educadores. "Vamos acompanhando a sala toda e gradualmente fazendo a nossa retirada, assim se espera que a terapeuta já não seja necessária e esteja concluído um processo eficaz de inclusão", explica Nicole Dias.
O ABA, Centro de Terapias Comportamentais, intervém actualmente em 14 crianças e jovens com idades entre os 3 e os 19 anos que apresentam diversas problemáticas do foro comportamental e psicológico. São, na sua maioria, casos de perturbações do espectro do autismo, mas também de epilepsia, atraso mental, trissomia 21 e perturbações alimentares.
Os métodos e as técnicas têm por base a análise comportamental aplicada (ABA - Applied Behaviour Analysis) e podem, segundo Nicole Dias, ser usados em qualquer situação. Funcionam através do reforço, ajudas específicas e objectivos concretos. "A ABA tem uma vertente diferente das outras intervenções por ser extremamente objectiva, tudo é mensurável, portanto o progresso da criança ou jovem é acompanhado diariamente", refere a psicóloga. O trabalho é sempre realizado em contexto real, explica Nicole Dias. "Todas as intervenções acontecem no ambiente em que aquela criança precisa de funcionar, seja em casa ou na escola, e há sempre um trabalho complementar com a família e restantes intervenientes identificados na vida da criança, se não o processo não é viável."
Nicole Dias não tem dúvidas sobre os benefícios da inclusão de crianças com NEE na escola regular. "Desde que se atenda às suas necessidades específicas, com as devidas adaptações dos currículos e técnicos presentes que possam apoiar os agentes educativos". Mas alerta: "Muitas vezes é preciso haver um trabalho individualizado em que a criança está fora do grupo, embora depois ela tenha todos os benefícios em ser novamente inserida nele."
Esta inserção "tem de ser feita com muito cuidado e tendo em atenção as necessidades da criança e do grupo", sublinha Nicole Dias. Algo que nem sempre é tido em conta. "Acontece frequentemente que o processo [de inclusão] é feito de forma abrupta, sem que sejam estabelecidos objectivos concretos e depois anda tudo à deriva", critica. Algumas destas questões estarão em debate na Fundação Calouste Gulbenkian, no dia 5 de Dezembro, num colóquio intitulado "Inclusão: Um desafio entre o ideal e o real", organizado precisamente pelo ABA.
De modo geral, o centro ABA entra nas escolas através do apoio individualizado que presta a alunos com NEE cujos pais procuram o centro. Dessa experiência de trabalho, Nicole Dias tem verificado "que a escola, por si só, tem alguma dificuldade em dar resposta a todas as necessidades educativas especiais", nomeadamente pela falta de técnicos formados e de estruturas que permitam fazer uma inclusão eficaz.
No entanto, é "na fase de inserção no grupo que o apoio da escola se torna importante, porque temos mesmo de trabalhar com os outros alunos e em todos os contextos, seja no refeitório, recreio, salas ou ginásio", esclarece Nicole Dias. Apesar da falta de recursos nas escolas, a psicóloga não tem encontrado resistência à actuação do centro, "quando lhes é oferecido esse apoio, a receptividade entre professores e educadores é de ressalvar". E essa abertura é essencial ao trabalho de inclusão.
Funcionária contratada para tomar conta do pequeno Rafael
Rafael, de sete anos, que frequenta o 1º ano na escola do Chão da Parada, nas Caldas da Rainha e sofre da Síndrome de Asperger, perturbação do espectro do autismo, já tem acompanhamento no estabelecimento de ensino.
A falta de uma auxiliar nesta Escola já foi noticiada pelo JORNAL DAS CALDAS. Gil Pacheco, presidente do Conselho Executivo do agrupamento de Escolas D. João II, revelou que a Câmara Municipal das Caldas da Rainha contratou uma funcionária, através do POC (Plano Ocupacional de Emprego) para acompanhar o Rafael e para dar algum apoio às crianças que frequentam as actividades de enriquecimento curricular.
Gil Pacheco reconhece que não é uma situação estável mas garante que a nova colaboradora tem contrato com a duração de um ano. “O ideal era ter uma assistente operacional com o perfil certo, mas como a Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL) está a orientar para que se contrate através do POC, é preferível ter lá uma pessoa do que não ter ninguém”, sublinhou.
A mãe de Rafael, Mafalda Almeida diz que se reuniu no passado dia 26 com presidente do Conselho Executivo do agrupamento de Escolas D. João II e que ele lhe confirmou que a nova funcionária tinha sido contratada para dar apoio a Rafael. No entanto, a encarregada de educação continua com dúvidas porque tinha lhe sido comunicado que a auxiliar era para dar apoio às crianças das actividades de enriquecimento curricular.
Mafalda Almeida aguarda agora o desenrolar da situação, esperando que a nova funcionária contratada tenha a disponibilidade para acompanhar Rafael da melhor forma.
Rafael tem passado os dias na escola sem acompanhamento de um adulto que dê resposta à falta de autonomia para tarefas como ir à casa de banho, comer ou sair da sala quando revela maior cansaço.
A doença de Rafael “cria instabilidade na turma dentro da sala de aula, quando a professora se encontra a ajudar o aluno nos seus trabalhos ou nas suas ausências”, admite a mãe.
“Apesar das crianças terem feito uma boa integração do aluno na turma, gera-se um clima de indisciplina”, manifestou um grupo de encarregados de educação numa carta enviada à DREL.
“O meu filho precisa de ser acompanhado por uma auxiliar para ir à casa de banho, durante a hora do lanche e noutras tarefas de necessidade básica que impliquem a sua autonomia”, sustenta Mafalda Almeida.
“Ele não tem a noção de ter de comer e a professora também não pode levá-lo à casa de banho e largar as outras crianças na sala de aula. Precisa de alguém para estar ao lado dele porque há dias em que não faz absolutamente nada”, conta.
A doença de Rafael acaba por perturbar os colegas, reconhece a mãe. “Às vezes, quando se encontra mais fora da normalidade, precisa de sair da sala durante uma hora. A tendência é morder-se e escarafunchar o nariz. Acaba por deitar sangue e não ter a noção da própria dor ou ferimento”, indica.
Marlene Sousa (texto)
Carlos Barroso (foto)
JORNAL DAS CALDAS
segunda-feira, novembro 23, 2009
Recurso para Pessoas com Autismo
Um recurso para pessoas com autismo que gostam de computadores é o Google Sketch up. É um recurso gratuito e que permite que se faça modelos em 3D, uma escolha da qual muitas pessoas com autismo gostam. Embora o vídeo explicativo seja em inglês, provavelmente é possível usá-lo sem o auxílio desse vídeo. O download é gratuito em:
sexta-feira, novembro 20, 2009
Colecção Makakinhos

A colecção Makakinhos, da editora Kalandraka, permite tornar a leitura mais acessível a crianças com problemas do desenvolvimento. A iniciativa é inédita no nosso país e resulta de uma pareceria entre esta editora e a galega BATA (Baión Asociación de Tratamiento del Autismo). A colecção abre com dois títulos tradicionais: Chibos e Sabichões e O Patinho Feio, já à venda nas livrarias portuguesas.
Os livros destinam-se a pessoas com necessidades específicas, tais como atraso global do desenvolvimento, perturbações específicas da linguagem (PEL), paralisia cerebral (PC), perturbações do espectro do autismo, dificuldades de aprendizagem, entre outros. Para além de se apoiar no texto e na ilustração, a leitura faz-se também através de um sistema gráfico de comunicação utilizado internacionalmente – SPC – Símbolos Pictográficos de Comunicação (Mayer-Johnson). Este sistema baseia-se em imagens (pictogramas) muito simples, acompanhadas da palavra escrita, referente ao seu significado. Ao tornar possível a leitura de tais contos a crianças com necessidades especiais, a colecção Makakinhos pretende aproximá-las da leitura e dar-lhes ferramentas a partir das quais possam desenvolver as faculdades de imaginação e fantasia.
Para aceder ao site da editora Kalandraka, clique aqui.
quarta-feira, novembro 18, 2009
Activista abre caminhos para adultos com Autismo em NJ
Don Bennetti, residente em Edison (NJ), vem oferecendo enormes oportunidades para adultos autistas no Douglas Developmental Disabilities Center. Em 2006, pais envolvidos com o centro na Rutgers University formaram uma força tarefa que focaliza em encontrar empregos para seus filhos e filhas. O objectivo não era tão fácil. “Encontrar trabalho para indivíduos autistas é muito difícil”, explicou Bennetti. “Não há muitas vagas no mercado”.
Bennetti parou de bater de porta em porta e decidiu criar o seu próprio negócio e, pouco tempo depois, ele fundou o “Men with Mops” (Homens com esfregões). Atualmente , a empresa possui 15 adultos autistas e o filho de Bennetti, Luke, é um dos funcionários, ou seja, ele possui seu próprio emprego. “Men with Mops executa uma variedade de tarefas: limpeza, corte de grama, recolhimento de folhas e mais. Sob o treinamento de supervisores, eles fazem o que podem durante as horas do programa (10:00 am às 2:15 pm, de segunda as sextas-feiras) e dentro de um diâmetro máximo de 30 milhas do centro.
Bennetti ainda lembra-se da primeira vez que seus funcionários receberam seus salários. “O sorriso em seus rostos, essa foi a recompensa da criação do Men with Mops”. Ele disse que alguns pais sequer querem sacar os cheques, ou seja, apenas pô-los em uma moldura! Essa tendência dificultou Bennetti em controlar o saldo bancário.
Há planos de expansão, como descreveu Chris Manente, coordenador do programa DDDC. Ele disse que o primeiro passo será expandir o horário de trabalho do Men with Mops além das restrições actuais determinadas pelo programa, o que significa mais horas e até finais de semana.
“O que teríamos que fazer é descobrir uma forma de apoiar nossos funcionários do Men with Mops através de treinadores profissionais além do ambiente que o programa diário de adultos do Douglas Development Disabilities Center possa provar”, disse Manente.
Ele acrescentou que isso pode ser realizado se a companhia Men with Mops contratarem seus próprios treinadores ou ter pais de adultos com autismo assumindo a função. Através dessas acções, Manente disse que a Men with Mops poderia expandir o programa para um número maior de adultos com autismo em várias áreas do Estado Jardim.
Especialistas europeus visitam Unidade de Apoio ao Autismo de Baião
Especialistas do grupo de Decisores de Educação Europeus consideraram hoje “interessante a forma como Baião está a fazer o agrupamento escolar”, considerando o concelho um caso de sucesso do reordenamento da rede do primeiro ciclo.
A visita a Baião do grupo de especialistas europeus na área da Educação centrou-se no tema "A aposta no primeiro ciclo para atingir o sucesso", tendo participado no encontro membros oriundos de países como Alemanha, França, Reino Unido, Bulgária, Polónia, Itália, Suécia e Turquia.
"O facto de hoje estarmos a ser visitados por oito países da Europa para verificar o modo como desenvolvemos a nossa política educativa, constitui um orgulho e uma satisfação, por vermos que o que estamos a implementar vai produzir resultados na melhoria das condições de vida sociais da nossa população, no aumento dos padrões de cultura e também na garantia de maiores e melhores oportunidades para aqueles que agora estão na escola", afirmou o presidente da Câmara de Baião, José Luís Carneiro.
Sue Waters, uma professora de Inglaterra e um dos 12 membros do grupo de especialistas, disse à Lusa ser "realmente interessante ver como Portugal, e neste caso especifico Baião, está a fazer o agrupamento escolar, como está a gerir as dificuldades e como que estão a reagir professores e pais".
"Em Inglaterra estamos igualmente a fechar as escolas mais pequenas para que o ensino tenha uma maior qualidade, havendo uma grande oposição por parte das vilas que não querem perder as suas próprias escolas", salientou Sue Waters que considera que "não é possível ter uma escola com apenas cinco alunos porque torna o ensino muito difícil e pouco eficaz".
O autarca relembrou que em 2005 "95% das salas de aula funcionavam apenas da parte da manhã e uma grande maioria tinham vários níveis de ensino na mesma sala".
"Estávamos portanto a praticar um crime social porque condicionávamos, à partida, crianças com muitas potencialidades a um caminho de insucesso escolar, que depois os levava muito cedo para o mercado de trabalho", disse.
José Luís Carneiro apelidou de "pequena revolução positiva no sector da educação" o trabalho feito nos últimos quatro anos, salientando "a construção da primeira fase do Pólo escolar de Gestaçô e do Centro Escolar de Campelo - Baião".
"Estão neste momento em projecto de arquitectura mais dois centros escolares e mais dois pólos escolares e queríamos que a meio do actual mandato, todas as crianças já estivessem neste quadro de igualdade de oportunidades", sublinhou o presidente da câmara.
No final da reunião foi feita uma visita ao Centro Escolar de Campelo e à Unidade de apoio ao Autismo nele integrada.
O Centro Escolar acolhe cerca de 250 crianças do 1º ciclo do ensino básico e tem 12 salas equipadas com modernas tecnologias.
Segundo a autarquia, a "mais-valia dos Centros Escolares é o facto de permitirem que a cada sala de aulas corresponda um nível de ensino”.
"A Unidade de Ensino Estruturado para perturbações do Espectro de Autismo, associada ao Centro Escolar, visa dar resposta a uma carência existente em toda a região norte, apoiando actualmente cinco utentes provenientes de outros concelhos", acrescenta.
quinta-feira, novembro 12, 2009
Vacinas levam a Autismo - Oprah - Jenny McCarthy sugere dieta para recuperar
Esta é uma entrevista da Oprah com Jenny MCcarthy (actriz e mulher do Jim Carrey) que conta como as vacinas dadas em crianças desencadearam autismo no filho. Como a entrevista esta incompleta coloquei a do Larry King que esta completa.
Video da Oprah 1 Video da Oprah 2 Video Larry King
Campanha angaria brinquedos para crianças com deficiência
Campanha angaria brinquedos para crianças com deficiência.
O Centro de Recursos para a Inclusão Digital (CRID) do Instituto Politécnico de Leiria (IPL) lançou uma campanha para a recolha de brinquedos que vão ser transformados por alunos e depois oferecidos a crianças com deficiência.
A iniciativa, denominada Mil brinquedos por mil sorrisos, apela à população para que ofereça brinquedos com um sistema electrónico simples, de forma a poder ser adaptado num brinquedo para crianças que estão limitadas na forma de brincar pela deficiência que possuem, explicou hoje à Agência Lusa a coordenadora do CRID, Célia Sousa.
A responsável adiantou que a adaptação dos brinquedos vai ser feita por um grupo de alunos e professores voluntários do departamento de Engenharia Electrotécnica do Politécnico de Leiria. «O trabalho consiste em adaptar o circuito de alimentação de cada brinquedo para poder ser usado com um interruptor externo que acciona o seu funcionamento», afirmou Célia Sousa.
A coordenadora esclareceu que, «depois de adaptados às necessidades de cada um, o objectivo será realizar a oferta dos brinquedos a diferentes instituições, com crianças com necessidades especiais». Segundo Célia Sousa, os brinquedos adaptados destinam-se a «crianças essencialmente com deficiências motoras, que estão em cadeira de rodas e que não se podem deslocar para brincar com um brinquedo como qualquer criança».
«Também podem ser crianças com autismo, que precisam de ter alguns momentos de atenção», esclareceu a responsável, adiantando que igualmente crianças multi-deficientes estão no grupo de pessoas a que se destinam estes brinquedos.
«É essencial permitir às crianças portadoras de deficiência o acesso a brinquedos que lhes possibilitem gozar da actividade lúdica e situações de brincadeira com outras crianças que favorecem a sua integração na sociedade», defendeu Célia Sousa.
A campanha Mil brinquedos por mil sorrisos sucede a uma outra - Um brinquedo por um sorriso - que culminou, em Fevereiro deste ano, com a entrega de duas centenas de brinquedos a 20 instituições, incluindo estabelecimentos de ensino da região de Leiria.
A coordenadora do CRID adiantou que o objectivo da nova campanha é chegar aos mil brinquedos até ao Natal e alargar a sua distribuição a todo o distrito. «Se tivermos mil brinquedos, podemos inclusivamente distribui-los por outros locais do país para os quais temos sido solicitados», declarou Célia Sousa.
Os brinquedos podem ser entregues no CRID, sediado na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, e a partir de dia 28 na Aldeia de Natal, que vai decorrer na cidade de Leiria.
Lusa / SOL
Faltam auxiliares na escola “Chão da Parada” Caldas da Rainha
Criança com necessidades especiais sem acompanhamento de auxiliar educativa
Rafael tem sete anos e frequenta o 1º ano na escola do Chão da Parada, nas Caldas da Rainha. Sofre da Síndrome de Asperger, perturbação do espectro do autismo. Tem apoio pedagógico especializado nas aulas, mas passa os dias na escola sem acompanhamento de um adulto que dê resposta à falta de autonomia para tarefas como ir à casa de banho, comer ou sair da sala quando revela maior cansaço.
A mãe, Mafalda Almeida, desespera com a falta de respostas do Ministério da Educação e já recolheu o apoio dos pais das outras crianças que frequentam o estabelecimento de ensino, que reconhecem que a doença de Rafael “cria instabilidade na turma dentro da sala de aula, quando a professora se encontra a ajudar o aluno nos seus trabalhos ou nas suas ausências”.
“Apesar das crianças terem feito uma boa integração do aluno na turma, gera-se um clima de indisciplina”, manifesta o grupo de encarregados de educação numa carta enviada à Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL).
“O meu filho precisa de ser acompanhado por uma auxiliar para ir à casa de banho, durante a hora do lanche e noutras tarefas de necessidade básica que impliquem a sua autonomia”, sustenta Mafalda Almeida.
“Ele não tem a noção de ter de comer e a professora também não pode levá-lo à casa de banho e largar as outras crianças na sala de aula. Precisa de alguém para estar ao lado dele porque há dias em que não faz absolutamente nada”, conta.
A doença de Rafael acaba por perturbar os colegas, reconhece a mãe. “Às vezes, quando se encontra mais fora da normalidade, precisa de sair da sala durante uma hora. A tendência é morder-se e escarafunchar o nariz. Acaba por deitar sangue e não ter a noção da própria dor ou ferimento”, indica.
Rafael tem uma professora de apoio especializado duas vezes por semana, terapeuta da fala uma hora por semana, terapeuta ocupacional e psicóloga. Mas falta uma auxiliar em permanência.
O problema estende-se a toda a escola. Tem 46 alunos e não há auxiliar de acção educativa. Já aconteceu, nas actividades extra-curriculares, um professor não chegar a tempo por ter de se deslocar de outra escola para aquela, e as crianças ficarem sozinhas no recreio, podendo entrar qualquer pessoa e sair qualquer criança do estabelecimento de ensino.
Agrupamento sem verbas
O Ministério não atribuiu qualquer auxiliar à escola do Chão da Parada já que “a lei só determina essa obrigatoriedade a partir dos 48 alunos”, esclarece Gil Pacheco, presidente do Conselho Executivo do agrupamento de Escolas D. João II.
O reforço do número de auxiliares de educação foi solicitado à DREL pelo agrupamento mas não há prazos para que a questão seja resolvida.
O agrupamento é composto por 33 escolas, com 2200 alunos (desde o pré-escolar ao secundário) e 52 auxiliares. Apesar de ser preciso mais 14 auxiliares, “à luz da Lei, temos mais duas auxiliares do que o número obrigatório”. O problema reside “na fórmula usada pelo Ministério da Educação, que é manifestamente insuficiente para as nossas necessidades”, considera Gil Pacheco.
Outro caso
Na escola de Salir do Porto, pertencente ao mesmo agrupamento, uma menina de sete anos com deficiência motora também sente a falta de uma auxiliar educativa. “Anda de cadeira de rodas e não se consegue movimentar sozinha. Para deixar de usar fralda precisava de acompanhamento. No refeitório é a própria cozinheira quem lhe dá a comida”, lamenta a mãe, Virgínia Sutre.
Francisco Gomes (texto)
Carlos Barroso (fotos)
Jornal das Caldas
