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quinta-feira, abril 07, 2011

Lançamento do Livro "Para Sempre e Mais um Dia" de Laura Costa

No passado dia 23 de Janeiro de Boticas, o átrio dos Paços do Concelho acolheu a cerimónia de apresentação do livro "Para Sempre e Mais um Dia", de Laura Costa, escritora com ligação ao concelho de Boticas, de onde o seu marido é natural. A apresentação do romance policial "Para Sempre e Mais um Dia" esteve a cargo de Manuel Cunha, que não se coibiu de tecer alguns elogios quer à obra em si, quer à escritora, aproveitando a ocasião para levantar uma "pontinha" do véu em relação ao enredo desta história que, na sua opinião, "prende a atenção do leitor desde o início, numa narrativa agradável e simples que se torna ainda mais apaixonante à medida que a autora vai desvendando os mistérios e dramas em que vivem as personagens deste livro". Resumidamente, este livro tem como personagem central uma criança portadora de síndrome de Asperger, considerado uma forma leve de autismo, a sua integração social e a forma como os pais da criança vivem quase em exclusivo para o filho. "É uma temática muito pouco retratada na literatura mundial e este romance é talvez o único do género em Portugal, uma vez que tudo o que existe acerca do autismo e do síndrome de Asperger são livros de carácter mais técnico. Esta é talvez a principal razão pela qual o livro tem sido tão bem aceite quer junto das entidades, associações e instituições que lidam com esta problemática, bem como junto das famílias onde existem crianças autistas ou portadoras do síndrome de Asperger", refere a autora do livro", revelando ainda que este livro é dedicado a uma "criança" com quem tem grande ligação e que difere da personagem principal do livro no facto de ser portadora de uma forma mais severa de autismo e não ter as aptidões especiais (como a vocação para a pintura) que tem a personagem do livro. "Para Sempre e Mais um Dia" é a segunda obra da autora, depois de "Cabo do Mundo", e, atendendo ao final da história, abre as portas para um terceiro livro, que poderá dar continuidade à narrativa e às personagens agora criadas por Laura Costa.

Vem ai mais um Workshop dia 27 de Abril 2011 no Centro ABA

Para efectuar a sua inscrição envie os seus dados pessoais (nome completo, morada, NIF, profissão, contacto telefónico, e-mail) para geral@centroaba.com ; efectue o pagamento da inscrição para o NIB: 0018 0003 1860 3712 02077 e envie o comprovativo de pagamento.

APPDA-Setúbal assinalou Dia Mundial da Consciencialização do Autismo

A APPDA-Setúbal, Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo, assinalou o dia 2 de Abril de 2011 com um encontro “Autismo: 40 anos de associativismo em Portugal – Qualidade de vida das pessoas com Perturbações do Espectro do Autismo (P.E.A.)”, com o objectivo de reflectir multidimensionalmente sobre os direitos humanos, igualdade de oportunidades e qualidade de vida das pessoas com (P.E.A.), de forma a promover uma sociedade mais inclusiva e digna, à luz da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.
O encontro, realizado no Auditório Conde Ferreira, em Sesimbra, e com o apoio do INR, Federação Portuguesa de Autismo, Câmara Municipal de Sesimbra e Esperança Centro Hotel, teve a participação de Maria José Sobral – Presidente de Direcção da APPDA-Setúbal, Fátima Lopes – Directora do Centro Regional de Segurança Social de Setúbal, Miguel Jorge – Adjunto do Governador Civil de Setúbal, Isabel Cottinelli Telmo, Presidente da Federação Portuguesa de Autismo, Fátima Alves – Directora de Serviços da Unidade de Investigação, Formação e Desenvolvimento do INR e Coordenadora da ENDEF, José Paulo Monteiro – Neuropediatra no Centro de Desenvolvimento da Criança Torrado da Silva e José Miguel Nogueira – Sociólogo e investigador na área da deficiência e membro da direcção da APPDA-Setúbal.
De salientar que se abordou a Estratégia Nacional para a Deficiência 2011-2013, a Evolução do Autismo e lançou-se o estudo: “As crianças e jovens com P.E.A. no Distrito de Setúbal, uma abordagem pelos direitos humanos e qualidade de vida” a promover pela APPDA-Setúbal, cujo objectivo se centra essencialmente sobre as dimensões da qualidade de vida, da igualdade de oportunidades e dos direitos das crianças e jovens com PEA e das suas famílias, conhecendo aproximadamente o universo de crianças e jovens com P.E.A. a residir no Distrito de Setúbal e a sua inclusão pré-escolar e escolar, através de um levantamento o mais exaustivo possível, por género e idade e a sua distribuição geográfica ao nível do concelho, (dos 0-25 anos).
Este estudo tem a ambição de se constituir como uma “ferramenta de trabalho”, cuja utilização contribua decisivamente para mitigar os problemas e os custos para as famílias identificados no diagnóstico e promover a sua capacitação para a melhoria das condições de vida, devendo estar concluído no período de 1 a 2 anos .

domingo, abril 03, 2011

Um dia de cada vez no desafio do autismo...

Um dia de cada vez no desafio do autismo. O autismo é muitas vezes incompreensível até mesmo para os que lidam todos os dias com esta doença. Para além do sofrimento, toda a ajuda é quase sempre pouca. No dia para consciencialização do autismo, a RTP foi conhecer a luta de uma mãe de um autista com 21 anos. Um exemplo de como a vida é para ser levada um dia de cada vez. Noticia RTP1

sexta-feira, abril 01, 2011

Dia Mundial da Consciencialização do Autismo " Agrupamento de Escolas de Ovar"

No dia 2 de Abril de 2011 assinala-se o Dia Mundial da Consciencialização do Autismo e todos estão convidados a vestir uma peça azul como forma de sensibilização e homenagem... a todas as pessoas e respectivas famílias que todos os dias vivem esta realidade, enfrentando geralmente muitas dificuldades e discriminações. Um dia pelo autismo…. Vamos todos vestir uma peça de vestuário azul! A Unidade de Ensino Estruturado de Autismo de Ovar propõe que esta actividade, em contexto escolar, seja realizada no dia 1 de Abril e não no dia 2 (sábado). Participa!

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Legos ajudam a criatividade de crianças com autismo

Estudo publicado “Journal of Applied Behavioral Analysis”

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Uma nova abordagem para ajudar as crianças com transtorno do espectro de autismo a usar a criatividade através da construção de legos foi apresentada  no “Journal of Applied Behavioral Analysis”.

Muitas das crianças que sofrem de transtorno do espectro de autismo sentem-se frustradas e inconfortáveis quando lhes é pedido para interromperem actividades repetitivas e criarem algo de novo.

Para este estudo, os investigadores da University of Rochester Medical Center (URMC), em Nova Iorque, EUA, contaram com a participação de seis crianças que tinham entre seis e 10 anos. Cinco das seis crianças apresentavam comportamento restritivo, de acordo com uma escala de avaliação de comportamento preenchida pelos pais ou professores de cada participante.

A abordagem Applied Behavior Analysis (ABA), que procura entender como determinar e mudar sistematicamente um comportamento específico, foi utilizada para que as crianças brincassem com os legos de uma forma mais criativa. As crianças que inicialmente construíam repetidamente a mesma construção começaram a aventurar-se a criar novas construções com diferentes padrões ou formas.

À medida que cada criança conseguia construir uma nova estrutura, os instrutores congratulavam-na pelo sucesso do seu trabalho. No final do estudo, todos os participantes conseguiram alterar a construção de legos que estavam a trabalhar com sucesso.

Meses após as diferentes fases do estudo, os investigadores verificaram que as crianças ainda eram capazes de criar novas construções com cores e formas diferentes.

A autora principal do estudo Deborah A. Napolitano referiu, em comunicado enviado à imprensa, que “ estes resultados abrem caminho para novos estudos de intervenções que procuram melhorar as características sociais e comportamentais das pessoas com transtorno do espectro de autismo”.

quinta-feira, novembro 25, 2010

Crianças com Necessidades Especiais em risco de ficar sem apoio nas escolas

Instituições em ruptura financeira à espera que o Ministério da Educação regularize as dívidas

Milhares de alunos das escolas públicas com necessidades especiais estão em risco de ficar sem apoio especializado nos próximos meses. Em causa estão as verbas que o Ministério da Educação ainda não pagou aos centros de recursos para a inclusão. As dívidas acumulam-se desde o início do ano lectivo e boa parte das instituições que asseguram o acompanhamento destas crianças nos agrupamentos escolares de todo o país estão à beira da ruptura financeira.

A Federação Portuguesa de Autismo e a Humanitas - Federação Portuguesa para a Deficiência Mental - são apenas duas das organizações que alertam para o perigo de suspender a sua actividade caso o governo não regularize as dívidas até final deste ano. Só na Humanitas são pelo menos 12 as instituições com centros de recursos para a inclusão que temem não conseguir pagar já no próximo mês as despesas correntes e os salários de centenas de técnicos que acompanham 1650 crianças deficientes a estudar em todas as regiões do país, excepto no Algarve.
Não tendo ainda transferido as verbas referentes aos meses de Setembro, Outubro e Novembro, o Ministério da Educação deve já 440 mil euros às instituições federadas na Humanitas.

"A principal consequência dessa demora é a suspensão a muito curto prazo dos projectos que desenvolvemos nas escolas e que passam sobretudo pelo apoio especializado prestado por terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas ou psicólogos", explica o vice--presidente da federação, João Dias.
Na mesma situação encontram-se os dois centros de recursos para a inclusão da Federação Portuguesa de Autismo, que acompanham 250 crianças nas escolas das regiões de Lisboa e Porto. "Temos contratos para cumprir com os agrupamentos escolares, mas a sua execução depende das verbas do Ministério da Educação", esclarece a dirigente da federação, Isabel Cottinelli Telmo.

O governo concedeu este ano à federação de autismo uma verba superior a 200 mil euros e, por enquanto, a dívida do ministério ascende a 46 815 euros. Entre Setembro e Novembro, Isabel Telmo explica que usou os subsídios de Natal e de férias deste ano para pagar os salários dos técnicos, as despesas correntes e ainda os encargos com as obras que estão a decorrer na Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo.
Porém, em 1 de Janeiro esse pé de meia estará esgotado: "Se entretanto as dívidas não forem liquidadas não temos alternativa senão suspender a nossa actividade", avisa a presidente, que, no entanto, diz acreditar na "boa vontade" das direcções regionais de educação (DRE) para sair deste impasse.

Contudo, a resolução do problema não estará dependente das cinco direcções regionais de educação. Tanto a Humanitas como a Federação Portuguesa de Autismo já questionaram diversas vezes as DRE e obtiveram repetidamente a mesma resposta. "Dizem-nos que desconhecem quando as verbas serão pagas e que a questão só poderá ser solucionada pela tutela", conta João Dias.

O mês de Novembro está a acabar e ainda "não há qualquer resposta", apesar dos "emails enviados às direcções regionais e ao secretário de Estado adjunto da Educação [Alexandre Ventura]", conta o vice-presidente da Humanitas. O i tentou ainda contactar a Federação de Cooperativas de Solidariedade Social para saber se o problema se estende às suas instituições, mas essa informação não chegou a tempo, uma vez que os dois dirigentes se encontram fora do país. O valor total da dívida e o número de instituições e crianças afectadas é outra incógnita, uma vez que o Ministério da Educação não esclareceu as dúvidas.

quarta-feira, novembro 10, 2010

Halloween

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051120103310051120103316Porque nunca é demasiado tarde para divulgar as actividades realizadas na nossa sala aqui deixo o nosso Placard do Dia das Bruxas ( Halloween )

Cães ajudam no desenvolvimento das crianças autistas

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Um estudo recente desenvolvido por investigadores da Universidade de Montreal, no Canadá, concluiu que os cães desempenham um papel importantíssimo no desenvolvimento das crianças com necessidades especiais, segundo o site Softpedia, citando um estudo publicado na revista Psiconeuroendocrinologia. Sonia Lupien, investigadora sénior, professora do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Montreal e directora do Centro de Estudos de Stress Humano do Hospital Louis-H. Lafontaine, e os seus colegas, mediram a quantidade de cortisol presente na saliva de crianças autistas, para detectarem os níveis de stress. O corpo humano produz a hormona do cortisol em resposta ao stress, que atinge o seu pico meia hora depois do acordar e estabiliza ao longo do dia.

“Tentámos avaliar o efeito que os cães tinham no nível de stress das crianças em três momentos diferentes: antes e durante a introdução do cão e família e depois de o cão abandonar a família”, explicou Sonia Lupien. Aos pais foi-lhe pedido que preenchessem um questionário sobre o comportamento das crianças nesses três momentos, os revelaram que as crianças revelaram 33 comportamentos problemáticos antes e depois de o cão chegar à família e apenas 25 quando o cão estava com eles.

Este estudo permitiu concluir que cães devidamente treinados ajudam a diminuir os níveis de ansiedade nestas crianças e contribuem para incrementar a sua socialização. Lupien acrescentou ainda que a investigação “conclui que os cães têm um verdadeiro impacto nos níveis da hormona do stress nas crianças”.

Há várias décadas que é aconselhado às famílias com crianças autistas a terem um cão, mas este é o primeiro estudo científico que mede o impacto psicológico dos cães nestas crianças.

terça-feira, outubro 26, 2010

Orçamento sobe 7% para a educação especial

O orçamento de acções previstas para a área da educação especial cresce no próximo ano cerca de 7%, o que demonstra uma "forte aposta" do Governo, disse o secretário de Estado Adjunto, no Parlamento. De acordo com Alexandre Ventura, o investimento reflecte-se de "uma maneira muito clara" quer ao nível das instituições de educação especial, quer ao nível dos apoios que esta área requer dos investimentos nas escolas da rede pública.

"Há uma clara e manifesta decisão da parte do Ministério da Educação de investir nesta área", garantiu o secretário de Estado Adjunto e da Educação, que hoje, quarta-feira, apresentou os números na comissão parlamentar. Em relação ao ano lectivo anterior, mantém-se o mesmo número de escolas para alunos surdos (20) e de escolas de referência para alunos cegos e de baixa visão (52), mas aumenta o número de alunos tanto num caso como noutro, devido a uma optimização dos recursos, disse Alexandre Ventura.

"Quanto às unidades de apoio especializado a alunos com autismo, passamos de 187 a 231 no ano em curso", indicou. Relativamente a unidades de apoio especializado a alunos com multideficiência passaram de 292 para 320. 

Mantêm-se 74 centros de recursos para a inclusão, bem como o respectivo volume de financiamento destes apoios que existem desde Setembro de 2009 com recurso à experiência de instituições privadas.

 "Apoiam 13.536 alunos que estão nas escolas públicas com a sua experiência", afirmou o secretário de Estado, explicando que estes técnicos dos centros de recursos para a inclusão se dirigem às escolas da rede pública para apoiar as crianças com necessidades educativas especiais. O secretário de Estado sublinhou também que em termos dos docentes em estabelecimentos públicos alocados a esta área específica passaram de 4779 para 6225, actualmente envolvidos na educação especial. "Em termos de alunos apoiávamos 25.029 e agora apoiamos 33.186 alunos", acrescentou.

Alexandre Ventura apontou também um crescimento significativo, indicando que os docentes afectados às unidades especializadas passaram de 686 para 955 este ano. Já o número de educadores destacados para a intervenção precoce mantém-se em 500.

De acordo com o secretário de Estado, os técnicos neste domínio, terapeutas ocupacionais, terapeutas da fala, fisioterapeutas, formadores e intérpretes de linguagem gestual portuguesa passaram de 1289 para 1300, enquanto os assistentes operacionais passaram de 700 para 714.

Alexandre Ventura reafirmou a aposta do Ministério da Educação neste domínio e lembrou que o Governo encomendou um estudo para acompanhar as medidas no terreno que estará concluído em Dezembro e apresentará recomendações para a melhoria do sistema.

quarta-feira, setembro 15, 2010

Asperger: Síndrome afecta crianças e adultos, sobretudo do sexo masculino

40 mil em Portugal- Notícia Correio da Manhã

Expressões como "o gato comeu-te a língua" ou "ter o rei na barriga". Metáforas, anedotas e entoações. O contacto olhos nos olhos. Expressões faciais de medo, de alegria ou espanto. O que para a maioria das pessoas é evidente e lógico pode gerar algumas confusões e equívocos a quem sofre de Síndrome de Asperger (SA).

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Os ‘aspies’ – nome atribuído aos pacientes – traduzem as palavras de forma literal e são adversos à mudança. Querem ser sociáveis mas tendem a limitar a conversa a temas em que se sentem confortáveis, tais como aviões, comboios, semáforos, planetas e colecções, independentemente do interesse dos ouvintes. São hipersensíveis a sons e ruídos altos e extremamente honestos. O que representa um problema de comunicação e socialização. Para comunicar com um ‘aspie’ deve-se recorrer a frases curtas, precisas e concisas.

O Síndrome de Asperger é uma perturbação dentro do espectro do autismo que se traduz por alterações na interacção social, no uso da linguagem para a comunicação e restrição de interesses. Afecta crianças e adultos e é mais comum nos homens. É uma doença congénita, não tem cura mas o diagnóstico precoce ajuda a melhorar as competências sociais e comunicativas. Em Portugal, estima-se que cerca de quarenta mil pessoas sofram de Asperger.

O neuropediatra Nuno Lobo Antunes recorda o dia em que foi contactado por uma mãe que estranhou o facto de o filho, no berço, evitar o contacto visual e centrar a sua atenção na pulseira. Normalmente os pais percebem que os filhos são diferentes pela dificuldade de integração na sociedade e na escola, explica o especialista. Contudo, este síndrome ainda é desconhecido por muitos técnicos da área da saúde e muitas vezes é confundido com a hiperactividade ou com o défice de atenção, o que dificulta o diagnóstico e, consequentemente, o tratamento.

Esta incompreensão é partilhada pela sociedade em geral, e o doente de Asperger é discriminado e vítima de agressões verbais e físicas, sobretudo no caso das crianças. Há por isso tendência para a solidão e para o isolamento.

"PORTADOR DE ASPERGER PODE TER VIDA NORMAL":  Carla Almeida, Terapeuta de Educação Especial e Reabilitação

Correio da Manhã – Quais as causas do Síndrome de Asperger?

Carla Almeida – As causas do Asperger são desconhecidas, existem muitas dúvidas e já foram realizados vários estudos nesse âmbito. Mas existe uma forte componente genética.

– Como é o tratamento?

– O tipo de tratamento depende da idade. Tem uma vertente individual em que se desenvolvem, de uma forma lúdica e em função dos interesses das crianças, as competências sociais dos pacientes. A experiência de grupo completa o tratamento. Em grupos de quatro pessoas trabalha--se a vertente comunicativa.

– É possível ter uma vida normal?

– Sim, um portador de Asperger pode ter um percurso escolar normal e tirar um curso superior, desde que a sociedade respeite os seus interesses e rentabilize as suas potencialidades.

– Qual a diferença entre Asperger e Autismo?

– No autismo pode haver um défice cognitivo (intelectual). Os doentes que sofrem de Asperger têm uma inteligência média ou, por vezes, acima da média. A outra diferença é a nível da linguagem. Os ‘aspies’ têm um vocabulário cuidado e rico, já os autistas apresentam um atraso na linguagem.

MÉTODO 'SON-RISE' EM PORTUGAL

O método ‘son-rise’, que já existe nos Estados Unidos há várias décadas, chegou finalmente a Portugal. E promete dar uma nova abordagem no tratamento do Síndrome de Asperger. Centrado na relação entre as pessoas, este método ensina a criar e a implementar programas e acções centradas nas crianças. A ideia é evitar que a criança se disperse, fornecendo-lhe estímulos para que ela se concentre na relação com o outro, seja através da fala, do olhar, do toque ou da brincadeira. De uma maneira lúdica e dinâmica, desenvolvem-se as aptidões sociais, emocionais e cognitivas das crianças ‘aspie’.

"SOCIEDADE NÃO ACEITA"

Um postal de Natal com um grafismo "pouco adulto" alertou para um problema que já se arrastava desde a infância. Os gémeos António e Pedro (nomes fictícios) eram crianças hiperactivas, precoces e bem-dispostas. Tinham um percurso regular e bom desenvolvimento. O que não levantou suspeitas. O diagnóstico foi conhecido aos 33 anos, após o alerta de uma psiquiatra amiga da família. Os gémeos tinham Síndrome de Asperger. Nesse momento, as obsessões, a vida recatada e o pouco empenho em procurar emprego fizeram sentido. A notícia caiu como uma bomba no seio familiar, que desconhecia esta patologia. "Comecei a aprender, frequentei colóquios e reuniões", diz a mãe, acrescentando que "a sociedade não está preparada para aceitar e colaborar com a diferença". Hoje com 40 anos, os gémeos recordam o momento em que foram confrontados com o diagnóstico. "Entrei naquele consultório de uma maneira e saí igual", constatou António. Já ‘Pedro assegura que "não foi difícil", porque sempre se foi mantendo informado sobre o Asperger.

Workshop “Comportamento Verbal: Linguagem e comunicação”

Workshop “Comportamento Verbal: Linguagem e comunicação”, a realizar dia 9 de Outubro, Infantário Ogá Mita, no Porto

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Cátia Sousa
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ABA Centro de Terapias Comportamentais
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Silva (Braga) fecha escola a cadeado reclamando um professor

A Escola Básica (EB1) da Igreja acolhe a Unidade de Autistas do Concelho de Barcelos desde o ano passado. Esta foi a moeda de troca para terem ali a leccionar quatro professores. Este ano, e após o arranque das aulas, só havia três docentes, o que motivou protestos.

“Enganados”. Este era o sentimento exteriorizado pelos pais dos alunos da escola básica da Silva, barcelos. A revolta traduzia-se numa enorme faixa de pano preto, colocada no portão principal da escola, exigindo “um professor por turma”.

“Foi-nos prometido que ao vir a unidade de autismo para cá os quatro professores iriam ser mantidos. No ano passado correu tudo muito bem, mas este ano tiraram-nos um professor”, explicou a presidente da Associação de Pais da EB1 da Igreja.

A situação apanhou de surpresa os pais dos alunos, pois nunca esperavam perder um professor, até porque, como explica Carla Cordeiro, “houve um aumento de alunos”. “Temos aqui 63 crianças, entre os quais seis autistas que estão a ser integrados no meio escolar. O primeiro ano vai juntar-se ao terceiro e a aprendizagem vai ser mais complicado, para a além de causar problemas ao professor”, referiu Carla Cordeiro, que adiantou ainda que os pais tudo fizeram para resolver a situação junto da DREN.

“Mandamos um ofício para eles mas não quiseram saber”, sublinhou a presidente da Associação de Pais da EB 1 da Igreja. Indignados com a situação da escola, os pais fecharam a cadeado o estabelecimento de ensino, o que motivou no local a presença do presidente do Agrupamento de Escolas de Lijó, Paulo Sampaio. “Vamos resolver isto a bem”, referiu o coordenador que não quis falar à reportagem do JN.

Após uma reunião no local, os pais, em assembleia espontânea, decidiram-se por deixar o referido elemento dos agrupamentos de escolas cortar o cadeado e decretar o fim do bloqueio escolar, após negociada uma reunião com a autarquia, associação de pais e um encarregado de educação que decorreu na tarde de ontem. Na reunião não foi garantida a pretensão dos pais, pelo que a situação ficou em “stand-by”. “Tratam as crianças como números. O facto de integrar a unidade de autistas já não é razão para ter quatro professores”, disse Carla Cordeiro.

Mesmo assim, após a retirada do cadeado, os pais não autorizaram a entrada dos alunos na EB1 da Igreja da freguesia de Silva, preferindo desmobilizar para casa. “Se após a reunião as nossas pretensões não forem satisfeitas, amanhã os portões da escola voltam a aparecer fechados”, alertou Fernando Miranda, pai de duas crianças que frequentam a escola de Silva. “Esta situação não é justa, pois querem reduzir aos professores e os nossos filhos é que são prejudicados. Não entendo como uma escola, ainda por cima com mais alunos do que no ano passado, tem menos um professor”, fez questão de destacar o encarregado de educação.

segunda-feira, setembro 13, 2010

CONFERÊNCIA Dr.José Luis Cuesta em Viseu

"Indicadores de qualidade de vida para pessoas com Perturb.Espectro do Autismo"

POLO DE FORMAÇÃO DA REGIÃO CENTRO / VISEU
Para Pais,Técnicos, Professores e Público em Geral
25 Setembro 2010

programa viseu programa viseu 1 Para retirar a sua folha de inscrição clique aqui:

http://www.appda-lisboa.org.pt/index.php

domingo, setembro 05, 2010

Método "Son-Rise" para tratar o autismo chega a Portugal

Portugal experimenta a partir de hoje uma nova abordagem no tratamento do autismo e também do síndrome de Asperger. O programa "Son-Rise" foi criado por pais para outros pais e também para profissionais e já existe há várias décadas nos Estados Unidos. Este método valoriza a relação entre as pessoas e consiste em ensinar a criar e implementar programas e acções centradas nas crianças, que se tornam em participantes activas. Os pais aprendem a interagir de uma forma divertida e dinâmica com os filhos, encorajando, desta forma, o desenvolvimento social, emocional e cognitivo.

terça-feira, agosto 31, 2010

Scanner cerebral de 15 minutos pode vir a ajudar diagnóstico de autismo, revela estudo

Um scanner cerebral de 15 minutos e que se analisa de imediato no computador pode, no futuro, ajudar a diagnosticar o autismo, uma perturbação mental difícil de definir que pode manifestar-se em vários graus. 

A técnica conseguiu bons resultados apenas em 20 homens já diagnosticados, faltando ainda ser validada em mulheres e crianças. 
A estimativa nos países desenvolvidos é que uma em cada cem pessoas (quatro homens por cada mulher) sofre de autismo, em algum grau. Quando se confirma o diagnóstico, existem tratamentos não farmacológicos que melhoram a qualidade de vida de muitos pacientes, sobretudo em crianças. 
O estudo, dirigido no Reino Unido pelo professor catedrático de psiquiatria Declan Murphy, foi publicado no Journal of Neuroscience.

A investigação - que fez uma complexa bateria de análises comportamentais e entrevistas pessoais - aproveita a acumulação de conhecimento sobre a base genética do autismo e a sua repercussão - muito ligeira - na anatomia do cérebro, como a espessura do córtex e a forma e a estrutura de regiões relacionadas com a linguagem e com o comportamento. 
Murphy acredita que este avanço vai somar-se ao protocolo actual de diagnóstico do autismo, mas que não vai substituí-lo.

«Acreditamos que este trabalho é uma prova de que o conceito funciona. Esperamos que se possa começar a aplicar no sistema nacional de saúde em um ou dois anos. Nem sequer é preciso comprar novos instrumentos, basta acrescentar um programa às máquinas de ressonância magnética. Tem muito boa relação custo-benefício», considerou Christine Ecker, investigadora deste programa.

Filme “Temple Grandin”

O diagnóstico de uma criança com autismo quase sempre coloca os pais em desespero.E do desespero,perguntam-se:o que faremos agora?O estigma e a incompreensão que cercam o autismo,o modo como a sociedade encara os portadores,indo da piedade ao escárnio,pouco contribui para deixar esses pais mais tranquilos.Porém,mais e mais pais estão se juntando em associações que procuram mutuamente desfazer o pretenso estigma do autismo,querendo dar relevo ao que é realmente o autismo:uma disfunção global do desenvolvimento que 'afeta' a percepção da realidade(entre aspas porque esse 'afeta' se refere aos que não são autistas).O autista percebe e interage com a realidade,mas só que de uma forma diversa dos 'outros'.A maneira de usar o corpo de forma diferente provoca muitas vezes deboche das outras crianças e de pessoas ignorantes.

'Temple Grandin'é a cinebiografia da mulher do mesmo nome,feita para a televisão pela HBO.Temple,nascida em 1947,foi diagnosticada com autismo aos três anos.Sua mãe,inconformada,a manda estudar em escolas regulares.Ajudada pela família e por mentores,Temple(apesar de constantemente ridicularizada na escola por colegas insensíveis),forma-se em Psicologia,tendo mestrado e doutorado em Ciência Animal.Desenvolve um grande trabalho nas redes de proteção e amparo aos autistas,além de criar formas de 'humanização' das condições de abate de animais.
Seria lugar comum dizer que o filme é uma lição de vida.É uma lição de vida pela superação,por um ser humano,de obstáculos imensos,por mostrar,que temos sim,que lutar todos os dias contra o senso comum,que obstrui a sociedade,que nos impõe tantas vezes uma venda nos olhos.Temple Grandin é uma vitoriosa,não por ser uma pessoa realizada(só),mas por ter,contra todas as expectativas,realizado seu potencial como ser humano.

Fantasticamente dirigido por Mick Jackson,'Temple Grandin' levou,entre outros o Emmy de melhor filme para a televisão,e melhor atriz parab Claire Danes.O trabalho de Danes é impactante,minucioso,um trabalho de grande atriz,procurando captar nos menores gestos,a Temple Gradin real.Merecidíssiomo prêmio para Danes,que prova que é sim,uma ótima atriz,madura,pronta para desafios como interpretar uma pessoa complexa como Temple Grandin.
Um grande filme,que nos faz questionar os 'comportamentos adquiridos',ou o 'que/quem é normal',passando pela pretensa idéia humana de sermos superiores aos animais por sermos mais inteligentes.

segunda-feira, agosto 30, 2010

Nova abordagem ao autismo requer a ajuda de voluntários

Recuperar a criança autista com um intenso trabalho de chamada  ao diálogo e ao contacto com o outro é a base de um método com origem nos EUA e que um grupo de pais quer divulgar em Portugal. Eles pedem voluntários para esse intenso trabalho de estímulo.

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A mãe da Carolina acredita que “este é o caminho para que uma criança autista se torne independente e faça as suas escolhas”. E assegura ao JN que, entre outros aspectos, muito melhorou o contacto visual que a sua filha agora já consegue estabelecer. Isso porque Susana Silva tem vindo a pôr em prática alguns dos ensinamentos colhidos do Programa Son-Rise, desenvolvido por uma associação sem fins lucrativos dos Estados Unidos.

Esse método implica que haja um espaço reservado à criança, com um trampolim, de preferência sem cama e onde os brinquedos são colocados numa estante, a uma altura só acessível com a ajuda de um adulto. A janela deve ter uma luminosidade normal e com uma cortina.

A ideia base deste método é evitar que a criança se disperse e, ao mesmo tempo, fornecer-lhe estímulos e atenção para que ela se concentre na relação com o outro, seja através da fala, do olhar ou do toque e da brincadeira.

E estas são das capacidades que mais estão ausentes no autismo, caracterizado, entre outras expressões, por alheamento do ambiente e gestos repetitivos, por vezes com auto-agressões e dificuldades no recurso à casa de banho.

Susana Silva, com o companheiro e mais alguns pais de crianças autistas da região do Porto estão a lançar a Associação “Vencer Autismo”, que tem como um dos grandes objectivos divulgar o Programa Son-Rise.

O casal foi aos EUA aprender os fundamentos desse método e já está convicto dos resultados. Asseguram que “o método não tem segredos, é simples e não se compra”. Além de ajudar à progressão da criança, referem, ajuda também os pais a lidar com situações difíceis, por exemplo, as especiais “birras” destas crianças em espaços públicos.

José Santos, o companheiro de Susana, a mãe da Carolina, e também dinamizador da “Associação Vencer Autismo”, afirma que não se trata de receitar o método às famílias, mas sim apoiá-las.

No âmbito da actividade próxima da associação, esta procurará obter fundos para ajudar em dificuldades como as dietas especiais a que muitas vezes os autistas estão sujeitos. Muitas vezes pode ser aconselhável uma dieta sem glúten nem caseína, dada a frequência de paredes intestinais permeáveis e a fixação de metais pesados como o chumbo e o mercúrio no organismo.

Ao apelo que lançaram para voluntários receberam cerca de 15 respostas de todo o país, o que, segundo Susana Silva, “abre espaço para a ajuda a famílias que entretanto estão a frequentar o curso de iniciação ao método nos EUA”. No Porto há três famílias a aplicá-lo.

O interlocutor adulto nesta chamada à realidade da criança autista deve ?interessar-se pelo que a criança está a fazer, não a julgar e festejar sempre que ela se esforça por entrar em contacto?, nomeadamente através do olhar. Tudo através de muita preserverança, em longas sessões que os pais, por tarefas profissionais e limites de resistência, não podem garantir a tempo inteiro.

segunda-feira, junho 14, 2010

Descobertos novos genes raros do autismo

Novos genes de susceptibilidade para o autismo e variantes raras do genoma foram identificados em doentes autistas, muitos deles encontrados apenas no indivíduo e não nos pais. Os resultados constam de um estudo internacional, em que Portugal participa.

É o maior estudo jamais realizado sobre autismo e envolve cerca de mil doentes com perturbações do espectro do autismo, entre eles cerca de 300 crianças portuguesas que são seguidas no Hospital Pediátrico de Coimbra. Os novos resultados do Autism Genome Project (AGP), consórcio internacional criado em 2002 e constituído por 120 cientistas provenientes de 11 países, entre os quais Portugal, são hoje publicados na revista científica "Nature". E abrem a possibilidade de, no futuro, poder haver um diagnóstico precoce molecular do autismo.

O que os investigadores conseguiram agora identificar foi que os pacientes com autismo tendem a possuir no seu genoma mais alterações submicroscópicas - designadas Copy Number Variants (CNV's) - do que os indivíduos controlo. E que muitas destas alterações no ADN não são herdadas dos pais, mas correspondem a alterações dos cromossomas do próprio indivíduo, como acontece na Trissomia 21. As causas para o aparecimento dos CNV's não são ainda bem conhecidas, mas verifica-se que podem incluir entre um a 20 genes, parte dos quais já se sabe serem importantes no autismo ou na deficiência mental.

Outra das descobertas dos investigadores é que, enquanto isoladamente cada uma destas alterações é rara - isto é, responsável por uma fracção diminuta de casos de autismo - no seu conjunto estas variantes poderão levar à doença numa grande percentagem dos indivíduos afectados. O que acentua a convicção dos cientistas de que "existe uma enorme variabilidade genética na base do autismo", disse, ao JN, Astrid Vicente, investigadora-principal da Unidade de Investigação e Desenvolvimento de Promoção da Saúde e Doenças Crónicas do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), que participa neste projecto.

Num "futuro longínquo", o que estes resultados podem vir a permitir é que passe a existir um teste molecular que permita fazer um diagnóstico mais precoce do autismo, visto que actualmente o único diagnóstico que existe é comportamental. Por norma, os pais têm de esperar até aos dois/três anos para terem a certeza de que os comportamentos dos filhos correspondem a um diagnóstico de autismo.

Guiomar Oliveira, médica do Hospital Pediátrico de Coimbra que também participa no estudo, admite que esse diagnóstico possa vir a permitir "tirar dúvidas mais precocemente", mas o que aponta como mais relevante neste estudo é o facto de apontar "causas até então desconhecidas". "É um avanço enorme", diz, garantindo que "todos os dias" tem estado a encontrar respostas para casos de meninos cujo autismo não tinha qualquer explicação, o que acontecia em 80% dos casos.

Noticia –J.N.10-06-2010