quarta-feira, setembro 15, 2010

Silva (Braga) fecha escola a cadeado reclamando um professor

A Escola Básica (EB1) da Igreja acolhe a Unidade de Autistas do Concelho de Barcelos desde o ano passado. Esta foi a moeda de troca para terem ali a leccionar quatro professores. Este ano, e após o arranque das aulas, só havia três docentes, o que motivou protestos.

“Enganados”. Este era o sentimento exteriorizado pelos pais dos alunos da escola básica da Silva, barcelos. A revolta traduzia-se numa enorme faixa de pano preto, colocada no portão principal da escola, exigindo “um professor por turma”.

“Foi-nos prometido que ao vir a unidade de autismo para cá os quatro professores iriam ser mantidos. No ano passado correu tudo muito bem, mas este ano tiraram-nos um professor”, explicou a presidente da Associação de Pais da EB1 da Igreja.

A situação apanhou de surpresa os pais dos alunos, pois nunca esperavam perder um professor, até porque, como explica Carla Cordeiro, “houve um aumento de alunos”. “Temos aqui 63 crianças, entre os quais seis autistas que estão a ser integrados no meio escolar. O primeiro ano vai juntar-se ao terceiro e a aprendizagem vai ser mais complicado, para a além de causar problemas ao professor”, referiu Carla Cordeiro, que adiantou ainda que os pais tudo fizeram para resolver a situação junto da DREN.

“Mandamos um ofício para eles mas não quiseram saber”, sublinhou a presidente da Associação de Pais da EB 1 da Igreja. Indignados com a situação da escola, os pais fecharam a cadeado o estabelecimento de ensino, o que motivou no local a presença do presidente do Agrupamento de Escolas de Lijó, Paulo Sampaio. “Vamos resolver isto a bem”, referiu o coordenador que não quis falar à reportagem do JN.

Após uma reunião no local, os pais, em assembleia espontânea, decidiram-se por deixar o referido elemento dos agrupamentos de escolas cortar o cadeado e decretar o fim do bloqueio escolar, após negociada uma reunião com a autarquia, associação de pais e um encarregado de educação que decorreu na tarde de ontem. Na reunião não foi garantida a pretensão dos pais, pelo que a situação ficou em “stand-by”. “Tratam as crianças como números. O facto de integrar a unidade de autistas já não é razão para ter quatro professores”, disse Carla Cordeiro.

Mesmo assim, após a retirada do cadeado, os pais não autorizaram a entrada dos alunos na EB1 da Igreja da freguesia de Silva, preferindo desmobilizar para casa. “Se após a reunião as nossas pretensões não forem satisfeitas, amanhã os portões da escola voltam a aparecer fechados”, alertou Fernando Miranda, pai de duas crianças que frequentam a escola de Silva. “Esta situação não é justa, pois querem reduzir aos professores e os nossos filhos é que são prejudicados. Não entendo como uma escola, ainda por cima com mais alunos do que no ano passado, tem menos um professor”, fez questão de destacar o encarregado de educação.

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